Bom, ficou pra um pouquinho mais tarde porque quando eu estava saindo do escritório minha mãe ligou e foi com ela que eu falei quando cheguei em casa. Ainda bem que ela não perguntou nada, porque eu tava com a cara inchada de tanto chorar o dia todo.
No fim das contas a gente conseguiu conversar, ele falou tudo o que ele pensava (e não tinha nada a ver com o que eu estava sentindo) e quando foi a minha vez, despejei tudo, soltei a voz, abri o berreiro, escancarei minha alma. Falei de tudo, desde coisas pequenas como ele passar o tempo todo imerso no mundo de escambo dele e de não andar de mãos dadas, até o fato de ele nunca escutar o que eu digo (e eu estava me repetindo pela milésima vez, pra provar) e de não cumprir com os deveres do casamento por já mais de um mês. E sei lá o que foi que falei de diferente dessa vez, ou se foi o "como" falei, mas no fim das contas, ele com os olhos marejados esticou a mão pra mim e me abraçou, dizendo que entendia que eu devia me sentir amada enquanto na verdade eu estava sendo negligenciada por ele. E reconheceu que não vai ser fácil, mas a gente vai tentar trabalhar tudo isso e fazer dar certo.
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